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sábado, 6 de setembro de 2008

Síndrome da Pós ou do Mestrado

É difícil separar a vida e as pessoas em gerações. Essa coisa de "geração" costuma ser ilusória. Sempre existem muitas gerações diferentes dentro de uma mesma geração. Contudo, se compararmos aquela parcela dos jovens dos anos 60 que ficou na história como contestadora e revolucionária com a maioria dos jovens de hoje, vamos ver que aqueles esqueciam das suas próprias vidas em prol de utopias - viva o socialismo -, ao passo que estes só pensam nas próprias vidas e no futuro de suas contas bancárias, pouco se lixando pra realidade e destino do país e da cidade em que vivem. Têm, no máximo, uma consciência ecológica maior em relação aos antepassados dos anos 60.
Mas porque estou falando isso? Não estou a fim de condenar nenhuma geração, quem sou eu. Não gosto dessa coisa de individualismo exacerbado - o cara que só pensa na própria carreira e os seus sonhos se limitam a ícones de consumismo e de status social -, mas também acho que aquela geração dos anos 60 acabou precisando de muita terapia porque, revelado o fim do sonho, caiu a ficha e todo mundo teve de se virar e se encarar. E vamos combinar que ser escravo de "ideais revolucionários", abrindo mão do senso crítico e da própria individualidade, é sintoma de cegueira e um passo para o terrorismo. Não dá pra aturar quem fica ajoelhado em frente a uma imagem de Che Guevara.
Toda essa balangação inicial só pra dizer que me irrita bastante ver muitos "jovens" da atual "geração" obstinados em fazer um mestrado ou uma pós em alguma coisa com o intuito de ter uma carreira bem sucedida e ganhar dinheiro pra caramba etc. Já querem sair da faculdade direto pra uma pós ou, melhor ainda, um MBA, outra invenção do mundo acadêmico que se aproveita desse medo que os "jovens atuais" têm de não se dar bem na vida. A religião agora é essa: ter um MBA, falar duas línguas estrangeiras fluentemente e, de preferência, demonstrar alguma experiência numa empresa grande, bem conhecida. Está traçado o caminho para o sucesso.
Nada contra o sucesso, contra ganhar dinheiro. Pelo contrário. Ter sucesso com honestidade e muito trabalho, e ser reconhecido por isso, é bacana, é admirável. Dinheiro acaba sendo consequência e também é ótimo. Porém, vejo que a maioria dessas criaturas de quem estou falando mal leu um livro inteiro na graduação e não procura adquirir outros conhecimentos e experiências advindos da arte, do cinema, do teatro, da filosofia, da história, das conversas de botequim com amigos que tenham alguma coisa na cabeça. E o mais grave é que essas pessoas esquecem que mais importante do que a "bagagem acadêmica" é a subjetividade e autenticidade delas mesmas, que poderiam se refletir em uma atitude mais criativa e mais crítica, e menos repetidora de clichês acadêmicos.
Enfim, acho um barato fazer uma Pós ou um MBA quando realmente se está maduro pra isso. Quando já se sabe o que quer, até porque já se tem experiência e muita leitura acumulada. Acredito demais no auto-didatismo. Mais do que em qualquer outra coisa. Quem tem uma "personalidade profissional" pode muito bem buscar nos livros, por conta própria, os conhecimentos que vão completar, dialeticamente, o que se aprende no dia-a-dia. Sei que hoje, diferente dos anos 60 em que o "Grande Mal" era o capitalismo, o maior medo é a tal da falta de empregabilidade. Temos de ter "um currículo melhor do que o cara ao lado". Beleza, a competição maluca em que vivemos acaba gerando essa aberração. Mas, vamos com calma. Não vamos seguir, todos, o mesmo roteirinho patético: boa escola, boa graduação, boa pós, boa sei lá o que mais o que e mais duas línguas. Cade VOCÊ nessa história toda? Você não tem dentro de si algo mais interessante pra mostrar do que um currículo cinco estrelas?

3 comentários:

Géh disse...

Leonardo,

Quase caí no conto do mestrado...
Comecei uma pesquisa (por conta própria) sobre Arte e Sexualidade. Quanto mais estudava o tema, mais entendia que a academia não era o meu lugar. Talvez por que eu seja um tanto anarquista, minhas experiências , a própria vivênvia me apontava que se lá eu estivesse tudo que eu havia descoberto nesse processo sofreria uma "castração" acadêmica. Então segui meu camimho nada filosófico mergulhada entre estudos e experiências voltadas a sexualidade reichiana, a uma mistura de estudo antropológico, histórico que me levou até a era do matriarcado. Experiências em áreas não consideradas ciêntificas como o desenvolvimento espiritual e por fim mergulhei entre tintas e pincéis onde criei ínumeras pinturas como resultado desse aprendizado.

Tudo isso me levou a criar um portal de Arte, sexualidade e corporalidade (http://www.gehspace.com).

Foi então que me envolvi com conteúdo editorial, mídias sociais, técnicas de seo e promoção de websites. Todos esses anos de aprendizado proporcionaram hoje a possibilidade de oferecer o que meu conhecimento e conquistar clientes na área de promoção de websites.

Abraços,
Géh.

Thaís disse...

Atualiza!!!

Mestrado em Matematica disse...

gracias