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quarta-feira, 12 de março de 2008

Capitalismo, duopólios, atendimento (parte 3)...

Está na página A11 da Folha de São Paulo de hoje: "Gabeira promete capitalismo, se alia ao PSDB e acena ao PT - Pré-candidato diz que Rio tem de se desenvolver de forma capitalista". Segundo a matéria, em entrevistada dada na ABI, Gabeira "concentrou o discurso na tentativa de aparar arestas para o renascimento da cidade".
Que ótimo. O Rio está precisando mesmo de um modelo de "capitalismo mais desenvolvido", de parcerias do poder público com a iniciativa privada, de incentivos ao empreendedorismo, enfim, de sair da situação medieval (feudos de funcionários públicos na ativa ou aposentados) e de exclusão social, e renascer, se reencontrar.
Bacana. Mas a idéia não era falar da candidatura do Gabeira (que deveria, a meu ver, se aproximar do governador Sérgio Cabral, mas não vou me perder nessa discussão...), nem do atoleiro social do Rio. Quero falar da falta que faz um capitalismo desenvolvido, com "respeito ao meio ambiente e às condições de trabalho" e com... CONCORRÊNCIA, e dos efeitos disso no ATENDIMENTO.
Acabo de chegar, como nas semanas anteriores, de São Paulo, e de novo o vôo da GOL atrasa, e fica por isso mesmo... Nas últimas duas vezes, o atraso foi tanto que eu saí da sala de embarque, atravassei o aeroporto todo de novo para reclamar no balcão da check-in da companhia, e depois de tentar conseguir falar com alguém, fui "informado" de que eu deveria esperar mesmo, que o problema era das obras nos aeroportos etc. E aí eu perguntei: então, devo reclamar com a Infraero? Você pode ir comigo lá e repetir isso, que o problema é deles?
O funcionário desconversou e me despachou, assim como os atendentes faziam com as bagagens. E por que isso acontece? Porque temos hoje na aviação nacional um duopólio. Ou você voa de GOL ou de TAM. Por que, apesar de todos esses atrasos e problemas de atendimento, eu continuei a voar pela GOL? Porque só existem ela e a outra, e aí não nos restam muitas opções de escolha, sejam elas baseadas em preço, qualidade dos serviços, atendimento etc.
Ou seja, da mesma forma que o Rio, a aviação nacional precisa de um choque de capitalismo "desenvolvido", isto é, de concorrência, de abertura a outras empresas, inclusive do exterior (por que não?). E deus queira que a sociedade pressione o quanto possa o governo para que privatize logo os aeroportos, e a gente não tenha mais que ouvir de um atendente de uma companhia aérea que a culpa dos atrasos é das obras nas pistas...
Moral da história: quanto maiores forem a concorrência nos diversos setores (ou "indústrias") da economia e a cobrança (partipação, atitude, espírito de cidadania) da própria sociedade (apoiada em legislações claras, em órgãos reguladores eficientes e em uma justiça ágil), melhores serão os serviços oferecidos e o ATENDIMENTO prestado pelas empresas. E ainda teremos muito mais ofertas e preços atrativos. A propósito: a GOL não era uma empresa low fare por ser "inteligente" e ter um modelo de negócio de "baixo custo"?

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